20 julho 2009

GD 52......SHOWS......MAIS UMA BALADA.......O QUE VEM POR AÍ.....

Depois desse fim de semana cheio de cores cinzas e intensas, as coisas teimam e querer voltar ao normal, mas se tudo correr bem elas nunca chegarão perto disso.........
Mas por partes........primeiro sobre os shows desse ano, mais um que com certeza acontecerá, e apesar de estar meio atrasado para se postar vai para a listinha vermelha.

Litlle Joy dia 15 de agosto no Via Funchal em São Paulo. Depois da presepadinha de fazer três shows em um lugar aonde cabem apenas 500 pessoas (e será que era necessário mais que isso??????), a choradeira de muita gente por não conseguir ingressos eles voltam para São Paulo pra mais esse show. A pergunta que não quer calar é: mas então o que aconteceu com o cd novo dos Strokes????? Afinal de contas a banda estava em estúdio já começando as gravações do sucessor de FIRST IMPRESSIONS ON EARTH. Mas quando ninguém esperava Julian Casablancas lançou um teaser de seu disco solo e Fabrizio Moretti vem de novo pra cá. Bom se você não pode ter Strokes, então fique com uma Litlle Joy mesmo (piadinha Fratellis).
E The Killers vem mesmo, só falta a definição das datas. E como sempre deve demorar aquela famosa eternidade. Então a tabelinha de shows mudou pra ficar assim:

THE ATARIS.................................26/07 Hangar 110


CACHORRO GRANDE..................08/08 Sesc Pompéia (lançamento do cd novo)


LITLLE JOY...................................15/08 VIA FUNCHAL (NOVO)


CHUCK BERRY..............................19/08 Via Funchal


GAROTAS SUECAS.......................27/08 Sesc Pompéia


FRIENDLY FIRES.........................17/08


COPACABANA CLUB....................17/08 os dois no Studio SP no festival Poploaded Gig 2


JERRY LEE LEWIS........................18/09 Credicard Hall


DEPECHE MODE............................24/10 Arena Anhembi (chamar lá de arena é piada né?????)


FAITH NO MORE..........................07/11 Festival Planeta Terra


GRIZZLY BEAR.............................07/11 Festival Planeta Terra palco indie


THE KILLERS................................entre 21 e 26/11 (quase virando vermelho)


FRANZ FERDINAND.......................em 2010




De todos os da tabelinha azul o menos provável que acontece parece ser mesmo o do Grizzly Bear, aliás diga-se de passagem infelizmente. Na agenda de shows da banda não existe sequer uma menção à qualquer data na América do Sul. E corrigindo o esquecimento a agenda anterior adicionado o quase show do além do Depeche Mode em outubro. Os ingressos do DM serão colocados à venda à partir do dia 14 de agosto.

Mais uma balada indie na Barra Funda. Como se já fosse pouco todas as baladas que existem em São Paulo de música "muderninha", nesse fim de semana abre o ALLEY CLUB. Boteco, baladinha que pode também virar casa de shows, dependendo do que se pede. Quase em frente à um outro bar, o Clash Club, no mesmo bairro a balada nova promete além de esquentar a concorrência se tornar um ponto de referência mais especificamente de rock, já que a levada do Clash é bem mais eletrônica..................entra no site por aqui e confere ver se te apetece.

É rapidinho mesmo, mas antes e ir durante a semana um certo combo vindo da Terra de James Brown, que acidentalmente caiu nessa Modern Age meio sem querer vai dar uma parada por aqui..........não entendeu nada, pelo menos guarde a capa então:



19 julho 2009

GD 52....A MENINA DE CABELOS CRESPOS E SAIA PRETA..........


O dia todo passou com uma sensação estranha de domingo. Havia um clima mais que bucólico no ar de São Paulo nesse dia 18. Talvez fosse por causa das mudanças de clima ocorridas, afinal de contas o sol que nasceu pontualmente as seis horas da manhã, acabou se escondendo depois. Teimando voltar a dar as caras durante toda a tarde, mas com uma leveza de energia que quase não era percebido. E quando no início da noite se despediu sendo levado pelo vento gelado de inverno, foi como se estivesse dizendo a todas as pessoas que iria começar um cataclisma sonoro em alguma parte da cidade. E assim se fez.
Nas horas que antecederam a apresentação de Cat Power no Via Funchal, o céu desandou a chorar copiosamente, e a chuva acabou castigando quem não havia levado guarda-chuvas ou estava ainda tentando retirar seu ingresso comprado pela internet. Diante das reclamações de sempre quanto à organização do evento, e contra o departamento de meteorologia do firmamento, os primeiros passos de todos naqueles metros quadrados eram de espera. Em todos os rostos havia uma expressão de pré-Katrina, como se todos lá já esperassem algum tipo de acidente bíblico ou de alguma tormenta imparavel. Mas mesmo assim a entrada seguiu-se sem tropeços. Nem a famigerada exigência de Chan de não permitir câmeras dentro do recinto estava sendo levada às últimas consequências, com você pode perceber pelas fotos tiradas do show, aqui postadas. E por falar em fotos, isso é mérito exclusivo de Karina. Além da dedicatória deste blog, ela merece muito mais beijos depois dessas fotos e desses dois filmes que mostraremos por aqui. Porque tirar uma foto ou fazer um vídeo sem que Chan Marshall furtivamente se escondesse atrás da bateria, ou virasse as costas foi quase uma missão herculínea. E como se viu depois captar à emoção dela foi uma tarefa para poucos e que apenas no final do show foi feito sem força ( mas isso é apenas pro fim).
De entrada fácil, as acomodações mais fáceis ainda. Mas aquele clima de tormenta teimava em não passar. As reclamações de como é pssível se fazer um show "indie", com cadeiras e mesas mostraram-se desnecessárias devido ao que se viu depois.
Palco simples demais. Baixo, bateria, guitarra e um teclado quase que se fundindo em posição, invertendo Newton completamente. Apenas as luzes da casa faziam sombra nas pessoas que ainda se acomodavam. Alguém se aproxima dos instrumentos e coloca dois incensos (um na bateria e outro no vibrafone) e sai, retornaria ao palco depois para colocar uma vela em cima do piano e sairia assim calado de lado, quase se desculpando por entrar, mas com passos firmes de quem está lá para realizar uma missão importante para a formação dessa tempestade.
Alguns minutos depois das dez horas, as luzes da casa vão lentamente morrendo. Pronto, já era possível perceber a formação de pesados cúmulos em torno do céu do palco. Os primeiros raios começam quando entram em cena THE DIRTY DELTA BLUES. O guitarrista Judah Bauer (do Blues Explosion), o tecladista Gregg Foreman (do Delta 72), o baixista e vibrafonista Erik Paparazzi (da Lizard Music) e o baterista Jim White (do Dirty Three) se posicionam, os aplausos crescem em intensidade e a tempestade se precipita. Quando de repente todos esperavam um raio dos mais poderosos, entra em cena uma menina pequena, quase frágil a ponto de se quebrar por completo com um sopro. Tímida, calçando seus sapatos masculinos brancos, seu jeans apertado e uma camisa levemente desabotoada com uma gravata no pescoço. Ela olha ao redor, sorri timidamente, um aceno.....mais nada. Ela parece não entender o tamanho das coisas, e talvez isso se deva pela sua própria estatura pequena. Por um momento eu tenho a impressão que ela vai correr de tudo aquilo. De repente, os acordes de THE HOUSE OF THE RISING SUN iniciam-se. Ela abre a boca e solta a primeira nota, um silêncio mortal invade o lugar. Você consegue perceber que a voz da menina começa a preencher o espaço......as notas vocais descem pela beirada do palco e se misturam as mesas e cadeiras. Funde-se com os ouvidos e corpos de todos...um a um....nossos cérebros são tomados pelo timbre, e ele se espalha. No segundo verso é possível sentir a vibração da garganta de Cat Power tomando o quarteirão inteiro da casa de shows. A voz dela se fundiu e costurou uma amarra dentro de todos presentes. Era como se uma onda que começa pequena fosse tomando proporções jurássicas e arrebentasse de uma vez inundando o lugar. É incrível ver como é possível uma menina tão frágil aparentemente cantar com uma força capaz de fazer desabar um estádio inteiro. Em vários momentos nessa primeira parte do show não haveria explicação lógica para saber de onde é que saía toda aquela voz. Mas a cada clima dissonante, a cada nota e a cada expressão a única certeza era que a tempestade havia chegado.



O show percorreu climas, passou por camadas cada vez mais densas. Foi baseado muito em todos os covers dela dos dois discos THE COVERS RECORD e JUKEBOX, versões assombrosas de Don´t Explain (gravada por Nina Simone e Billie Holiday), Fortunated Son, Lost Someone, Lord Help The Poor And Need, Rambling (Wo) Man e Sea Of Love (que merece uma observação por ter ficado melhor que a versão açucarada que Robert Plant fez), estavam mostrando a todo mundo presente que não havia como sair daquele sensacional furacão pesado. Mas havia junto com isso uma sensação de desapego maior ainda. As poucas palavras de Cat para a platéia que urrava a cada música, eram mais exacerbadas ainda quando ela passava a maior parte do tempo imersa dentro do seu mundo. Cat Power canta em transe. Muitos dos momentos em que ela se colocava na lateral do palco (onde passou a maior parte do show), pode-se ver claramente que ela cantava em outro planeta. Ela estava em algum lugar muito longe onde ela captava sua voz e a despejava, cada vez mais poderosa pelo público. Mesmo a toda hora fazendo obsevações quanto ao volume do seu microfone (a briga pessoal dela com o som era uma das tiradas á parte no show....). Estava tudo se encaminhando para apenas um show aonde o artista canta, deixa marcas e se vai. Mas como se fosse mandada pelos céus para acalmar a tormenta, surge a garotinha de saia preta e cabelos crespos.........
Foi um lance daqueles que você só vê se acompanhar desde o começo. Chan estava na lateral direita do palco em seu mundo. E essa menina audaciosa se aproxima, com a vontade e força de chegar perto de Cat Power inesgotáveis. Seria um embate entre duas grandes forças da natureza. De um lado uma voz rouca de trovão do outro uma inabalável determinação. A menina se aproxima e encara Cat, a cantora que até então fugia de todas as câmeras para e olha de volta. A menina se aproxima com um pacote escuro em suas mãos e o leva na direção da cantora. Cat Power ainda meio que sem jeito se aproxima e pega o embrulho, você podia sentir um raio de força cortar as duas meninas pequenas na beirada daquele palco. A menina fala alguma coisa para Cat, ela não ouve e se aproxima dela. Por um momento acontece aquele fenômeno em que o tempo corre mais devagar dentro da matrix e Chan Marshall delicadamente coloca sua mão no ombro da menina que lhe fala algumas palavras. Cat sorri e acaricia a garota de cabelos crespos, nesse exato momento a densidade cai por terra. Não existe mais exigências de não se filmar, não existem mais amarras para toda a força de sentimento que foi delicadamente surrada dentro do coração e alma de todos os presentes. A menina de cabelos crespos dobrou Cat Power, a partir daí a cantora que já estava despejando a alma no palco, deixava seu coração cair pela primeira vez ao lado da caixa de retorno. E depois disso ela distribuiu tudo que que tinha de alma e coração por notas cada vez mais bem tocadas pela banda, que é um espetáculo à parte tamanha a competência musical e de improviso que eles despejam.
Seguiram-se as músicas do disco The Greatest, como The Moon, Greatest, Live on Bars. Todas num clima de bar sujo de jazz e blues, fazendo a voz rouca de Cat se destacar cada vez mais. Mas ela já estava com a alma em comunhão no palco. Visivelmente emocionada, continuou despejando as notas num crescente absurdamente impalpável.



E tudo se aglutinou para o fim apocalíptico, nem mais nem menos. Quando os primeiros acordes de Anjelitos Negros começaram a inundar o espaço da casa de shows. Podia-se ouvir o barulho da água escorrendo pelos cantos das pias do banheiros. E a música final do show foi massacrante. Numa versão tão longa quanto a do disco, mas nada igual (aliás todas as músicas tocadas estavam com arranjos diferentes ) a banda e Cat Power entregaram-se de vez, não havia como diferenciar quem era quem porque o amálgama era sólido demais, era coeso demais. E ninguém saiu ileso dessa música. Foi certamente a que deu mais vontade de se matar com faquinha de bolo Pulmann, a música que mais emocionou a platéia e a que tirava de Chan a cada nota um pedaço de alma mais profundo. Ao final dela tudo dentro do Via Funchal era uma coisa só. Não havia mais diferenças entre os rostos, não havia mais separação entre o palco e o povo. E quando Cat se aproximou no melhor estilo Roberto Carlos com um balde de rosas brancas e com várias folhas de papel aonde estava o set list do show para mais perto do público, foi catarse pura. Ela ficou pelo menos dez minutos recebendo e doando sentimentos à beira do palco com as pessoas que a tocavam, pediam autógrafos (em vinis inclusive), levavam camisetas, levavam carinho. Era palpável e visível o quanto de esforço que ela fazia naquele momento para não descanbar num choro latente. Emocionada deixou o palco, mas levou com ela metade do coração de todos. Uma troca mais do que justa, já que naquele dia ela tinha deixado sua alma em cada um de nós.............




OBS: os prêmios do sorteio que será feito nessa segunda feira ou terça feira serão, um DVD do show da Cat Power na França de 2007 para o primeiro lugar e para o segundo comentário mais bacana um show do The Killers da turnê de Sam´s Town (quando a banda era bacana ainda hahaha)

18 julho 2009

GD 51 FIM DE SEMANA CAT POWER PARTE 3.......trilhas sonoras e as vindas.

Após todo o sucesso de YOU ARE FREE , as coisas não pareciam ter se acertado para ela. Os shows continuavam imprevisíveis, alguns nem chegavam até o fim, outros duravam horas intermináveis de lamento e loucuras. Tudo isso culminando com o lançamento do DVD SPEAKING FOR TREES , aonde o cineasta Mark Borthwick faz uma espécie de show ao ar livre aonde Chan passa quase duas horas cantando e tocando sozinha dentro de uma floresta com planos em sua grande maioria estásticos. E como loucura pouca é bobagem ainda nessa época ela acaba chegando ao fundo do quadro de depressão e surgem as primeiras tentativas de suicídio. Nesse mesmo tempo ela decide que está na mais do que na hora de dar um fim nisso tudo e começa um processo de cura, aonde foi incluída uma semana no Centro Médico Psiquiátrico Monte Sinai em Miami para uma checadinha no cerebelo. Após essa semana, ela sai dizendo que lá dentro ela não era ela.Mas depois de uma tempestade dessas, nada que não fosse grande poderia surgir.


THE GREATEST, foi lançado em 2006, e é até hoje o disco de maior sucesso de Cat Power. Usado para iniciar pessoas no mundo da cantora e referência como obra primordial para qualquer um que compra seu primeiro par de All Star e óculos de aro preto de acrílico, o disco é uma obra mais que coesa. Co-arranjado pelo guitarrista de All Green, Tennie Hodgers, esta coleção de grandes músicas é e uma suavidade incrível. Apesar da fase turbulenta da cantora na época (mais álcool e mais suicídio), a voz de Chan consegue ser de uma violência doce incrível. Músicas como Willie, Where is my love, The Moon, Greatest, Love and Communication e Hate fazem com que esse disco seja cravado na memória de quem o ouve.Os arranjos são magistrais e a banda é de uma afinação absurda. E é desse disco esse som que você vê agora:








Nesse meio tempo Chan Marshall ainda achou algumas atividades extras como por exemplo fazer alguns comerciais para GAP e estrelar ao lado de Norah Jones e Jude Law o filme MY BLUEBERRY NIGHTS de Wong Kar Wai, aonde fazia o papel de namorada de Law. E também acabou embalando os beijos de Jones e Jude com duas músicas na trilha sonora. E nesse contexto de entrar numa fase mais limpa que ela reenconttrou o Brasil em 2007 no finado TIM Festival.
Neste ano, o festival já era evento certo em qualquer agenda do tal mundo "muderninho", e aquele ano poderia ser muito melhor que o ano anterior aonde Strokes e Kings Of Leon bateram de frente com a Scania que foram os shows do Arcade Of Fire. Havia Arctic Monkeys, The Killers, Bjork, ou seja briga de cachorro grande e qualquer show com adjetivo de bom seria um desperdício.
Foi na primeira noite antes de Anthony and The Johnsons, que as pazes com o público foram feitas, com a banda Dirty Three Delta, que fluia do blues para o rock parando no jazz com a facilidade de quem abre de quem abre uma bala, ela iniciou o show com nada mais nada menos que uma canção imortalizada por ninguém mais que Billie Holliday, Don´t Explain. Pronto não precisava mais nada. A versão de She´s Got You (um clássico do country americano), foi de cortar o coração e todas as músicas de The Greatest foram quase que levadas pelo público como mantra. Saiu do palco debaixo de uma tormenta de aplausos, e a metade de sua alma que ficou no palco, grudou permanentemente em cada uma das pessoas que assitiram a apresentação, o que explica os ingressos esgotados nos shows de 2009. Esses dois videos são da apresentação no Tim:





Após o disco e a vinda ao Brasil, ela em 2007 ganhou o prêmio Shortlist Music Prize, por The Greatest se tornando a primeira artista feminina solo a recebe-lo. Em 2008 lança o segundo disco de covers JUKEBOX, aonde faz interpretações de canções mais antigas ainda do que no primeiro disco de covers, aonde aparece novamente Metal Heart e a música Song For Bobby em homenagem à Bob Dylan ídolo da cantora de longa data. Logo após em dezembro veio o EP DARK SIDE OF THE STREET com sobras de estudio do álbum.
Atualmente ela está trabalhando no próximo disco, com algumas músicas já prontas como Mountaintops e Leopard para o sucessor de Jukebox.
Hoje à noite à partir das dez da noite, Chan Marshall volta ao Brasil. Se pedaços de alma serão despejados no palco, isso ninguém sabe, mas a única certeza é que corações serão tocados de uma maneira irremediável essa noite..........


17 julho 2009

GD 51 FIM DE SEMANA CAT POWER....... PARTE 2 Do pesadelo à redenção


Quando deixamos nossa heroína moderna, ela estava a meio caminho de uma colapso nervoso. Ansiosa por não ser compreendida em seus trabalhos, caminhando em círculos sem achar a saída do circo da fama ao qual havia sido catapultada pelo seu mais recente disco.Isolada em uma fazendo na distante terra do nunca Cat Power continuou fazendo aquilo que ela achava no momento ser a saída para todas as suas dúvidas.Pinturas, poemas, álcool, droguinhas e depressão grande.......como se estivesse presa dentro de seu próprio pesadelo. E foi por causa de um desses pesadelos que ela voltou ao mundo da música.
Segundo ela em rara entrevista, o pesadelo era assim: ela sonhava que alguém lhe dizia que seu passado seria apagado se ela encontrasse essa pessoa que falava com ela (quem quer que fosse....), ela acordava gritando que não queria conhecer essa pessoa, porque ela sabia quem era: uma serpente traiçoeira. E esse pesadelo cercava a casa dela como um tornado.
Ela ficava apavorada e tinha que correr para seu violão para poder distrair-se e passava os próximos 60 minutos gravando alguma coisa.E dessas gravações longas sairiam seis canções.E foi assim que nasceu o disco dela, gravado na Austrália em companhia da banda Dirty Tree (que tocam com Nick Cave também). Esse disco intitulado MOON PIX é um dos melhores discos dos anos 90 (ele é de setembro de 1998), e trazia a já famosa desde sempre Metal Heart, mas foi com Cross Bone Style que ela mais uma vez caiu nas graças do público e fez (para desespero dela mesma), seu rosto ficar conhecido ainda mais. Aqui você confere as duas faixas e ainda a capa do disco.





Mas mesmo com todas as honrarias e felicitações alguma coisa parecia um pouco fora do lugar, mesmo porque meninas que não gostam de aplausos talvez estejam sendo mal interpretadas (obrigado pelo comentário....). E Chan continuava mais ainda dentro do círculo vicioso que entrou.E mesmo assim logo após a explosão de Moon Pix, ela resolveu fazer o primeiro disco de covers de sua carreira.E o nome não poderia ser mais inteligente: THE COVERS RECORD. Nesse disco ela mostra de uma vez por todas que ela não era apenas mais uma cantora indie qualquer, e se você não acredita dá uma olhada nesse videoclip e tente não chorar copiosamente. Nesse disco Cat Power se supera como interprete e como artista, simplesmente fazendo versões estonteantes para Rolling Stones (Satisfaction), Bob Dylan(Paths of Victory) e Velvet Underground(I Found a Reason). E foi com esse disco que ela veio ao Brasil pela primeira vez em 2001, fazendo shows em São Paulo, Rio e Curitiba. Mas se pudessemos ser parentes de Emett Brown provavelmente iríamos dizer que estávamos próximos de uma Amy Whinehouse do passado. Ela mal conseguia cantar as músicas, errou demais e com direito à uma apresentação Kobainiana no Hollywood Rock ela deixou quem gostava dela aqui a ver navios cargueiros. Mas a redenção e o caso de amor com os fans brazucas viria em 2007 (mas isso é uma outra história.....já já chegamos nela.). Por enquanto fiquem com ela em uma das mais maravilhosas covers de todos os tempos:





Mas como na música, ela acabou achando uma razão para não ir embora de uma vez da face da Terra, e quando todo mundo imaginava as manchetes em tablóides sensacionalistas, eis que surge em 2003 depois de três anos sem gravar nada YOU ARE FREE. Essa capinha bucólica já dava a impressão de paz que ela parecia ter atingido.
E apesar da calma aparente esse é um disco de rock regado à baladas simples mas fortes. Produzido por Adam Kasper que fez trabalhos com Pearl Jam, Foo Fighters e Queens Of The Stone Age, Cat Power parecia ter atingido a maturidade. De início pesado com a música I Don´t Blame You, que apesar de jurar que não era para Kurt Cobain (no início da letras ela canta sobre um músico que a última vez que tinha visto, ele estava com sua guitarra na mão com uma sensação de que não queria estar lá........o que vocês acham????), e com as participações de Dave Grohl na bateria em 3 faixas e o baixo em Speak For Me, ainda com Eddie Vedder nos vocais em Good Woman e Evolution.
Um fato bacana é que os convidados foram apenas identificados com as inicias dos nomes, então no encarte apenas estão colocados assim: D.G., E.V. e ainda um misterioso T.H. (que poderia ser o baterista Taylor Hawkins do FF). Vale a pena ouvir do começo ao fim, numa tarde de sábado no seu recanto rural. E é desse disco o próximo videoclip aqui: He War



E isso tudo mostra que realmente uma infância problemática, a mãe sofrendo de esquizofrênia, drogas, depressão, loucura e tentativas de suicídio, podem até não ser parâmetro de normalidade, mas com certeza é matéria prima de genialidade.

Quando o post do inferno voltar:

o disco mais The Greatest, a redenção no Brasil e mais covers de se matar com faca de bolo Pullman.

GD 51......FIM DE SEMANA CAT POWER PARTE 1.....


Como todo mundo já sabe Chan Marshall ou Cat Power, (como preferirem) retorna ao Brasil nesse sábado para um show em São Paulo e domingo no Rio de Janeiro. Com a esperança dos fans que nesse ano ela faça um pouco melhor do que em 2001, quando dentro de seu mais terrível pesadelo enterrada até a cabeça dentro de um litro de whyskie e drogas ela mal conseguia cantar as músicas. Atualmente recuperada de toda a manguaça, depois de lançar mais um disco de covers (JUKEBOX de 2008), que foi abraçado muito bem pela crítica especializada senhorita Chan volta as nossas terras. Enquanto aguardamos o sábado, bolando uma missão nos moldes Tom Cruisianos de ter as fotos do show e alguns vídeos, já que a moçoila que é avessa aos aplausos e mandou um recadinho que não vai querer saber de câmeras no seu show (como se ninguém fosse levar nem celular!!!!!), começaremos a postar uma biografia com videoclips, capas de discos e historinhas.......tudo será bem dividinho e colocado por partes para que você leitor possa acompanhar. A cobertura do show sairá logo após o retorno desse que vos escreve para casa, ainda na madrugada de sábado para domingo. E como estamos iniciando alguns testes no quesito mídia internética (alguém aí falou programa de rádio??????), vai rolar um sorteio pros melhores comentários sobre Cat Power.........dentro do blog. Nos comentários deixe seu e mail para que possa entrar em contato. Posto isso vamos ao que interessa.
Nascida no dia 21 de janeiro de 1972, com o nome de Charlyn Marie Marshall, filha de pai músico. Desde cedo já acompanhava o velho dentro dessse mundo então a transição não foi muito demorada para acontecer. Depois da separação dos pais, quando tinha 17 anos, Chan muda-se para morar com a mãe em Atlanta. Nessa mesma época larga o colegial e começa a procurar coisas mais interessantes para fazer (mesmo porque colegial pode ser sacral demais às vezes). Nessa procura muda-se para Nova Yorke aonde começa os primeiros ensaios daquilo que ela se tornaria anos mais tarde. Em 1992 ela funda o Cat Power (nome que surgiu depois que ela viu um adesivo de carro aonde estava escrito Cat Diesel Power), junto com um baterista seu amigo. E em 1994 lança seu primeiro single HEADLIGHTS,essa música entraria no primeiro disco dela de 1995 DEAR SIR, esse aqui:


Nesse mesmo ano Cat Power, já estava abrindo vários shows da cantora Liz Phair. Um tempo antes do lançamento desse disco ela conheceu o baterista do Sonic Youth (Steve Shelley) e Tim Foljahn (Two Dollar Guitar) e com eles gravou várias músicas de Dear Sir e do segundo álbum intitulado MYRA LEE, lançado apenas alguns meses depois do primeiro e pelo selo de Steve Smells Like a Record.







Desse segundo disco que você vê a capa logo abaixo, saiu a música Enough, primeiro vídeo dela em nossa videobiografia.






Mas foi em 1996 que ela começou a despontar no cenário através do primeiro disco seu pela Matador Records, WHAT WOULD THE COMUNITY THINK, de levada bluseira constante, mas de melancolia à flor da pele esse disco além de projetar Cat Power mundialmente, mostrava que a menina tinha certas perturbações depressivas importantes. Toda a influência de seu pai se apresentava nas faixas que lembravam muito o sul norte americano como Knights Ride By e In This Hole. Mas o hit que foi Nude At The News fez com que toda essa fumacinha deprê se escondesse um pouco para todos que a ouviam, menos para ela mesma. O disco é esse aqui:



E o vídeo que mostrava quase tudo é esse:




E é depois desse disco que as coisas se complicam. Senhorita Marshall entrou em uma depressão das bravas, muito pelo fato de não gostar em nada de seus primeiros discos e por achar que estava sendo explorada pelos seus amigos de gravadora. Some-se à isso o fato dela não conseguir compreender nem aceitar muito a idolatria de seus fans (coisa que até hoje ela tem consigo, visto que ela não gosta de aplausos). Fez o que todo mundo faria, se isolou do mundo dentro de uma fazenda, junto com o seu namorado e alí ficou pintando, escrevendo poesia quase desistindo da música de uma vez. Foi nessa época que começou a descida pelo álcool, as drogas e algumas tentativas de suicídio. Mas depois de um pesadelo no meio da noite, ela resolveu voltar.........

No próximo bloco:

O pesadelo de Cat, a volta pela Lua, Eddie Vedder e Dave Grohl, a vinda ao Brasil e a trilha sonora dos beijos de Norah Jones........

16 julho 2009

GD 51......DON´T BELIEVE THE HYPE........O MUNDO INDIE IT´S FUCKING BORING TO DEATH.........

Estou de saco cheio do mundo indie.
Essa eterna procura pela melhor banda de todos os tempos da última semana, nenhum trabalho titânico vale tanto a pena. Pessoas de All Star com cabelos estrategicamente desgrenhados não me agradam......"mudernets" com sainhas e face blasé são a coisa mais cafona do planeta. Pseudo intelectuais mais vazios que veia de cadáver em aula de anatomia 1 proliferam por toda uma rede mundial que em síntese seria usada para captar mais informações e despeja-las para o mundo. Mas o que se vê nas listas de discussão em qualquer post de qualquer jornalista indie é uma conglomerado de xingamentos, disputinhas bairristas sobre quem é melhor (normalmente sobre Rio e SP), pessoas que não sabem metade do teorema de pitágoras ou qual a melhor estória da Mônica e passam por predadores das teclas, despejando seu ódio por dentro das veias abertas pela tecnologia. É tanta maledicência, tanto português gasto com fofoquinhas que parece que eu estou preso dentro de uma versão mais bizarra ainda da cidade aonde eu nasci. Às vezes me parece um bando de carolas de Converse falando pelos cotovelos sobre quem é mais indie ou não.......despejando seu ódio em quem é diferente ou em quem é menos popular. Tudo bem que ninguém da imprensa ajuda muito, afinal de contas boataria sempre rendeu muito, ainda mais em um país aonde o índice de analfabetismo é maior que a própria população. Mas popularizar o banal também não ajuda muito.
Será que é verdade então?
O independente está morto desde a primeira vez que Kurt usou um All Star sujo?????? Nevermind abriu os grilhões e soltou a mega empresa que se tornou o mundo indie para os leões?????
Acho que no fundo não......Nevermind é apenas um disco, All Star é apenas um tênis e uma camiseta de banda desconhecida sempre será uma camiseta bacana. Mas é necessário que se repense urgente e emergencialmente sobre à que custas está sendo construída a tal da indústria do cool.......estamos todos dentro de um tempo aonde tudo é rápido demais, aonde tudo é dragado fundo demais e quase não sobra mais nada de areia para poder erguer qualquer dique de emergência. Os anos 60 foram os anos dos hippies, os 70 dos punks (saudades de algo......), anos 80 foram quase uma década para ser esquecida, nos 90 a geração camisa de flanelas e cabelo sujo mostrou aquilo que todo mundo escondia, mas e os 2000????......Uma revolução tecnológica que levou todo mundo a procurar ser o mais hypado possível.......uma era dos indie carolas????? Temos tempo até a copa do Brasil........
Pelo menos podemos escolher, mais dessa vez será que estamos preparados para todo esse poder que a força nos deu????????
E eu fico com a.......(você achou que ia encontrar uma citação brega do Gonzaguinha né????? hahahahahahahahhaha).
Ao que interessa então.........bandinhas bacanas que estão começando ou não algo um pouco mais do mesmo.....

A) Phoenix
Parece Strokes, mas citar Mozart e Liszt num mesmo disco, não é para qualquer um. Banda francesa que há dez anos na estrada mostra que é possível sim fazer pop rock usando mais do que o homúnculo de Penfield.



B) The Phenomenal Handclap Band
Não é sempre que você pode descrever uma banda que mistura Blondie, Talking Heads e James Brown como original, mas nesse caso se você gosta de música que te faz deslocar-se de um ponto a para o ponto b realizando movimentos rotatórios com os pés, essa é a sua banda. Confere aqui embaixo......



C) I Am Vexed
Letras faladas, refrões pegajosos e músicas tão digeríveis quanto um prato de carambolas ao molho de jiló. Parece indigesto, mas é uma das bandas que fazem um som inteligente, mais que a média das coisas que andam tocando nas FMs de sua vida.



D) Koko Von Nopoo
Anos 80 regados à bep-bop e shubeduba. Canções que lembram os bons tempos das Pippetes misturados à um New Order aqui e acolá. Pode ser que não dê em nada e todas as francesinhas acabem virando musas de algum Truffaut modernoso, mas vale à pena uma conferida.



Mas alto lá.......você não acabou de fazer um quase manifesto contra o mundo "muderninho", sobre as pessoas que buscam o mais novo sucesso do planeta indie e tem a cara de pau de mostrar quatro bandas novas que estão causando uma febrezinha neste mesmo mundo que acabou de ir contra???????
Calma lá bakuniniano leitor........isso são apenas portas, se você vai ou não adentrar e fazer disso um fato importante a ponto de deflagar uma discussão sobre quem tem a camiseta mais bacana ou que som é mais importante isso não é comigo. Cabe a você atravessar ou não.....lembra lá em cima as tais escolhas?????? Agora é com você padwan!!!!!
Quanto à mim, voltarei para Cat Power, o show desse sábado promete e ainda quero fazer uma cobertura descente disso.
Fiquem bem seres.............

15 julho 2009

GD 51....A VOLTA DOS MUTANTES SEM O PROFESSOR XAVIER.....E MAIS UM SHOW....POR AÍ....




Continuando na sessão se notícias.......os Mutantes acabam de soltar a primeira música inédita em 35 anos sem gravar nada de novo. O álbum que se chama HAIF, deve sair entre setembro e outubro.......mas a música nova TECLAR já está rodando por aí.......e sabe aonde ela saiu primeiro:
Não foi em algum canal de notícias brasileiro, aliás quase ninguém da chamada imprensa musical se deu conta disso ou sequer citou........a música saiu em primeira mão na bíblia da musica indie, a publicação PITCHFORK. E mais uma vez precisamos que publicações gringas nos digam o que tem de bom saindo na produção musical do nosso país..........e não é de hoje. Basta lembrar que a bossa só ficou conhecida no país todo depois que os yankes colocaram o dedo e apontaram como sendo um movimento que valia a pena.......até mesmo os próprios Mutantes, apenas ficaram conhecidos dentro do país de uma maneira mais contundente depois que caras como David Byrne, Sean Lennon, Beck entre outros começaram a babar aquele omelete por eles.........na verdade aqui fica também a crítica para, além da clara e óbvia vocação para sermos um país sem memória alguma e história.......para as pessoas que são divulgadoras de cultura nesse país jauino demais às vezes. Se você tem a oportunidade de divulgar um documentário que deveria ser passado dentro de salas de aulas lotadas como LOKI, que conta a história dos Mutantes e para ser mais exato a de Arnaldo Batista, para que renegar isso a poucas salas de cinema não frequentadas pelo grande público e porque deixar tão pouco tempo em cartaz, para depois de alguns meses ser lançamento de canal de tv por assinatura........
Me responde uma coisa então, porque a cultura de maneira geral nesse país é divulgada em guetos de pseudo intelectuais e para pessoas que tem poder aquisitivo para assitir o Canal Brasil???????? Você não paga seu imposto e não vota????
Também tem esse direito assegurado por lei. Enquanto se discute se os fumantes incomodam ao andamento da venda de outras drogas legais como a cerveja e as bebidas destiladas, nosso povo morre de burrice........sim eu sou anarquista......!!!!!!!!!!!
Mas ao que interessa a música é boa.....os Mutantes não querem reviver o passado, estão dando um passo de cada vez em direção a imortalidade, a música nova você escuta aqui.

E essa vai para lista azul:
como sempre tudo em nuvens, mas é muito provável que o AC/DC venha para o Brasil ainda esse ano, mais precisamente em novembro para a turnê de Black Ice que está tendo shows assim:





14 julho 2009

GD 51.....RAPIDINHAS....OS SHOWS......

SERVIÇO DE INUTILIDADE PÚBLICA:

Como tudo dentro desse país vem aos pedaços, e de acordo com José Sarney, ninguém sabe de nada, este hum(bug)ilde blog, vem realizar o favor de à partir dessa semana periodicamente atualizar a lista de shows bacanas que ocorrem no país varoníl, terra boa e gostosa, lar do maníaco do parque, PC Farias, Suzanne Altenhoffen, irmãos Cravinhos, Luís Inácio Lula da Silva, morada do Congresso Nacional e dos senadores honestos.
Cabe aqui uma explicação cartesiana: os shows em vermelho são confirmados os outros ainda são especulações (fortes, mas são......)

CAT POWER..................................18/07 Via Funchal

MOP TOP.......................................18/07 Outs

THE ATARIS.................................26/07 Hangar 110

CACHORRO GRANDE..................08/08 Sesc Pompéia (lançamento do cd novo)

CHUCK BERRY..............................19/08 Via Funchal

GAROTAS SUECAS.......................27/08 Sesc Pompéia

FRIENDLY FIRES.........................17/08

COPACABANA CLUB....................17/08 os dois no Studio SP no festival Poploaded Gig 2

JERRY LEE LEWIS........................18/09 Credicard Hall

FAITH NO MORE..........................07/11 Festival Planeta Terra (asterisco gigante!!!!!)

GRIZZLY BEAR.............................07/11 Festival Planeta Terra palco indie

THE KILLERS................................entre 21 e 26/11 (asterisco gigante dois!!!!!!)

FRANZ FERDINAND.......................em 2010 (asterisco gigante 3!!!!!!!)

Asterisco gigante:

O Festival Planeta Terra desse ano aconteceria dia 14 de novembro, mas de acordo com as fontes da imprensa nacional, o festival estaria mudando de data para poder comportar o show do FNM. O show da banda que lançou o melhor disco de 2009 até agora segundo a revista Clash, o Grizzly Bear vem estrelar o palco indie do mesmo festival.

Asterisco gigante 2:

A turnê conjunta com o Coldplay já era, não rolará aqui na América do Sul, mas os shows da banda que um dia foi a banda mais bacana do mundo indie estão sendo confirmados em partes.

Asterisco gigante 3:

O Franz anunciou a turnê sul americana para o início do ano que vem, no ano da copa do mundo o show mais divertido do mundo atualmente, confere aí.........




13 julho 2009

GD 51......I WANNA GRAP YOU UP BY THE HAIR AND SEND YOU BACK TO THE DEVIL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Existem dias aonde você acorda e não quer levantar....seus olhos pesam duas toneladas de maracatú atômico e eles não vão à lugar nenhum a não ser no canto do pé direito de seu quarto........aonde uma aranha estranhamente desenha um calabouço........pra moscas desavisadas.......
Tem dias em que você não passa de um personagem de Perec , um homem que dorme.......sua simples vontade não passa de marasmo...e desespero.....nesses dias.....e são sempre nesses dias aonde o céu cinza se abre mostrando à você um emaranhado de relâmpagos e nuvens negras......e é assim com a tempestade que a vida começa.......no alcance de todos os trovões você é capaz de perceber que sua vontade é mais penitente do que um dia de fúria......
E as músicas que te seguem nesse dia, são assim......gritos de misericórdia.......estripados de dentro de uma carcaça estranhamente familiar, a sua pele cinza.....a sua pele dissecada ao sol....ou fungiciada pela falta dele...........Essas músicas são sombrias...e são envolventes e de nada gratuítas.
Pois bem hoje sai na Inglatera e amanhã sai nos USA esse disco aqui:

Que é o já falado nesse blog projeto de Jack White, a banda THE DEAD WEATHER, formada por o próprio homem de cera do rock, VV do The Kills nos vocais, o baixista do Racounteurs e o guitarrista que participa do Queens of The Stone Age (Jack Lawrence e Dean Fertita respectivamente). A banda tem seu álbum de estréia HOREHOUND nessa ultima semana circulando nos torrents da vida e oficialmente pelo selo criado por Jack White , THIRD MAN, essa semana.
Vamos então por partes:
O disco tem essa capa aí toda meio que num tom de musgo e preto, e não é acidental a escolha dessas cores. Por todo o disco você é capaz de sentir a umidade fluir, como se você estivesse dentro de algum bar imundo que serve de moradia para aquela umidade seca de mangue. Aonde o calor do ar te faz produzir litros de sudorese inimaginávies, e a secura da boca arrasta seus lábios para dentro formando pequenas peles secas ao redor deles e em cada acorde elas se rasgam expondo seu sangue..........
60 FEET TALL dá início aos trabalhos com uma gama de ruídos e rufares de tambores e um crescente de blues e batidas das paquetas desordenadamente. A primeira pele seca da tua boca sai nos primeiros acordes da voz de VV (eu já volto a falar da voz dela.....um minuto...), que corta sua garganta impiedosamente. O disco inteiro é marcado por esse clima de blues velho, coisa que os Racounteurs já haviam feito no segundo disco. Mas o TDW leva isso para um lugar mais sombrio, mais no recanto escondido do seu sistema límbico. E isso fica claro no single HANG YOU UP TO THE HEAVENS, é pesado e desconcertadamente quebrado, muito pela bateria de Jack White (sim ele é o baterista da banda, o primeiro instrumento que aprendeu a tocar) que tem viradas simples mas genialmente bem colocadas. Mas o pesado mesmo dessa faixa é sem dúvida de Fertita e Lawrence uma cozinha que faria Lucifer sentir vergonha de chamar sua casa de inferno.........confere aí.....


Mas não é apenas o blues que se propõe a ser pano de fundo dessa nova banda. O funk aparece forte em I CUT LIKE A BUFFALO. Os vocais duplicadas de Jack e VV fazem com ela seja mais que música...seja uma dança pagã......regada à um Hammond pesado demais. Lembra muito as músicas do Kills, pela dinâmica meio pornô meio freira do casal cantante, mas nem por isso descartável.......I love like a woman...but I cut like a buffalo, quer mais?????????
SO FAR FROM YOUR WEAPON e TREAT LIKE YOUR MOTHER são feitas apenas pra mostrar a capacidade da vocalista de interpretar coisas diferentes, sejam elas baladinhas assombrosas ou uma música mais pop, nada formal no jeito de ser tocada, com se fosse uma big band dos anos 60 somada a uma banda de heavy metal. E tem mais uma coisa, VV cantando gemidamente medida I just like your mother faz você ter certeza que Édipo mora na sua casa e reflete o rosto no espelho toda a vez que você olha para ele. ROCKIN HOUSE e NEW PONY, são novamente blues rasgados e estariam em qualquer disco dos White Stripes, e você até poderia dizer que não acrescentam em nada no disco, mas em um mundo aonde a volta de bandas dos anos 90 são a tônica essas músicas são sopros de vida.
BONES HOUSE, é soturna demais para ser deixada de lado. Tem todo um lado eletrônico que deixa tudo parecido com aqueles filmes de terror aonde vampiras lésbicas atacam jovens seminaristas virgens. E é aqui aonde eu volto a voz de Allison Moshart.
Que ela é a menina mais punk de todo o mundo indie todo mundo já sabe, que ela desperta desejos maternias e desenfreados nos marmanjos de all star estamos carecas de saber. O que você não sabe, meu leitor salivante, é que ela usa meias vermelhas, e que isso faz dela uma deusa entre ratos. A voz dela é capaz de cometer latrocínios e nesse disco ela não apenas canta. Dá a medida de cada nota solta pelos três mosqueteiros, cria climas inimagináveis e é o diferencial de tudo. No Kills às vezes ela fica meio que presa a genialidade de Hotel, mas aqui ela está mais completa, está mais inteira...está usando meias vermelhas.
A instrumental korniana 3 BIRDS poderia ter sido colocada fechando o disco, porque quebra demais o clima todo, seria mais bem aproveitada com lado B não lançado.
NO HASSLE NIGHT continua no mesmo clima soturno bluesiro do disco, mas é a canção final WILL BE THERE ENOUGH WATER? que faz com que o próprio disco responda a pergunta. Na verdade a água virá de toda a umidade seca que esses três cavaleiros do apocalipse mais a dama de ferro trarão para e cena.
Discos assim são capazes de tornar seu dia muito mais cinza ainda, mas quem disse que não há beleza em cores como essa e meias vermelhas.........

07 julho 2009

GD 50..... MEUS HERÓIS DA MARVEL.........



Quando me mudei para São Paulo em 2003, os Strokes já haviam salvado o mundo. A música nacional continava dependendo de medalhões que tinham suas músicas em novelas para determinar seu grau de qualidade. O governo continuava deitado em escândalos como sempre. Mas eu vinha de experiências dentro do quinto círculo do inferno.....e saí de lá junto com Constantine....queria novos ares, o enxofre já havia me enjoado o suficiente e precisava de ar puro. Não que eu tenha encontrado o ar mais cheiroso por aqui.....mas encontrei novos ares.
Encontrei uma chance que me fora cortada...por dentro, encontrei o que passei anos de entorpecimento procurando, mas minha cabeça cortada pelo vidro do prato não me deixava ver....... sabia o que queria do resto da minha vida na matrix no momento em que desci no metrô Clínicas numa segunda feira nebulosa de março de 2003.
Mas não achei apenas aquele cara que havia morrido dentro de um carpete, numa cidade universitária......achei outras coisas....e uma delas foi a Brasil 2000.
A FM que já estava no ar no bairro do Sumaré havia tempos, era como um grito libertário para mim. Foi o único lugar aonde eu podia escutar tudo aquilo que achava relevante em termos musicais . Era como escutar por horas e horas a trilha da minha vida dentro de Gotham City......dentro de Sampa City........tudo se encaixava....as palavras cada vez mais poderosas, as opiniões que os radialistas passavam eram vitais como o ar.......era a mais verdadeira rádio de rock.
Existiam outras, mas a 89 era muito mais pop do que rock.......e a Kiss era clássica demais......e eu queria urgência.......queria pungência.......queria o punk, não o fácil........nada que fosse fácil prestaria.....então a rádio tinha que ser assim....violenta e intensa.......e assim se fez......
E um dos meus maiores ícones libertários desse tempo era um programa que passava toda a segunda feira.......das oito às dez quando não até às onze.....o GARAGEM.......o programa mais maldito do rádio.......para mim era benção.......Paulão, Barsinski e Álvaro Pereira eram meus messias. Descobria tudo o que era mais relevante, e eu tinha na compania deles horas de puro lirismo.......era como se as idéias deles batessem exatamente com as coisas que eu pensava de mundo e de música....e como essas duas coisas são inseparaveis, era como ouvir 3 jesuses em um único sermão da montanha.......


As piadas, a furadeira elétrica que esmerilhava às vezes , as perguntas que valiam prêmios sobre o Caetano e o Carlinhos Brown........nada passava impune dentro daquele ácido gástrico radial das segundas.......eram certeiros, eram cínicos......sarcasmo puro........era perfeito......
E o meu Lou Reed´s Perfect Day, foi quando o Paulão leu um comentário meu no ar........ainda por cima após eles todos terem gostado de como havia colocado meu nick (FODA-SE O BONO), no momento em que os três heróis da Marvel riram....eu sabia......falávamos a mesma língua......perfeito......
Ia nas festas todas do Garagem...mas nunca me aproximei deles........já estive a centímetros do Barsinski e do Álvaro Pereira Jr., mas nunca me apresentei....nem para agradecer o favor que eles me faziam todas as segundas....me lembrar que havia vida fora da matrix. Acho que eu achava exagero demais......porque eles para mim eram mitos.....e mitos não são para serem tocados......são aqueles que você admira pelas idéias...não por um sorriso dentro de uma festa......não por um alô..no meio de um monte de gente......mitos são para serem admirados......e acho que foi por isso...que nunca disse obrigado......mas se um dia algum deles por acaso chegarem a ler isso.........thank you so much..........

Mas o maremoto dos tempos mudou.....e o programa foi para na internet......e depois acabou......meus olhos encheram de água quando ouvi a voz de Fabio Nipoluso pela última vez falar sobre os murchos pãos de queijo que levava ao estúdio.
Foi triste, mais triste ainda saber que o Barsinski é dono de balada eletrônica.......e que o Alvaro hoje faz a parte caras do show da vida mostrando Neverland..........mas escolhas são escolhas.........eles voltaram para o agente Smith......eu não..........
Fiquei orfão de rádio por um bom tempo, descobri os torrents e eles eram minha sociedade dos poetas mortos......meu bom dia Vietnã.......meu Kubrick........mas ontem à tarde algo aconteceu.........em uma única sequência Franz Ferdinand, Killers, Smiths, Queens Of The Stone Age (a música nova......), Cure, Joy Division, Grizzly Bear e por aí foi.......
Não acreditava, me senti no DeLorean.....me senti em 2003.....olhei no rádio......e era ela......de novo.....me trazendo o som da revolução de volta.....era novamente a Brasil 2000. Quase chorei de emoção quando pensei que estava ouvindo as mesmas ondas que inundavam meu cérebro com magia......com inteligência e bons sons......não havia mais o sarcasmo....apenas sons.....não havia mais acidez.....apenas notas.......não havia mais radilistas líricos......mas havia vida de novo dentro do meu rádio........
É como ver o Pelé fazer uma jogada mágica com 50 anos......ouvir que a Brasil 2000 está de novo nos eixos é um sopro de ar mais do que quente.....é um sopro de vida....dentro de milhares de rádios pasteurizadas que povoam o dial dessa Gothan City às avessas....
Depois disso continuei pela estrada de ouro.......junto com o leão , o homem de lata, espantalho e Dorothy ouvindo Pink Floyd.........


OBS : se você como eu é orfão do Garagem..entra aqui......