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06 agosto 2009

GD 54.........OS FILMES QUE VOCÊ TEM QUE ASSISTIR ESSE ANO........



"Mas eu realmente não acho que sou Sid Vicious......"
"Não, eu sou Sid......"


"Eu tenho aquilo que os médicos chamam de Síndrome de Asperger..."

13 junho 2009

GD 46....DOIS CHOPIS....(E NÃO É TROCADILHO COM SCHOPENHAUER POR FAVOR) E UM PASTEL......


Ou então pode ser, um filme e dois novos discos......
Para quem estava orfão de um diretor que mergulhasse de cabeça na escatologia de um horror trash, quem não sabia mais se podia confiar no Tarantino para ver coisas numa tela que você diz: "desnecessário essa quantia de hemácias falsas.....", seus dias de espera acabaram......
Vem aí a volta de um dos melhores diretores nerds que você já conheceu.....SAM RAIMI. E não é aquele diretor que fez o Tobbey Maguire parecer mais nerd do que ele é ou o cara que se rendeu à Hollywood.......estou falando do cidadão que filmou a melhor trilogia de terror trash de todos os tempos (é lógico que o Mojica Marins é nosso Spielberg, então ele não conta........), A MORTE DO DEMÔNIO. Sangue, tripas, pastelão, gala canastrão, enfim mais sensacional do que milk shake de Ovomaltine.....(parafraseando o Art Brut).
O filme em questão é DRAG ME TO HELL, que foi mostrado pela primeira vez no festival South by Southwest esse ano, em sessão disputada à tabefes. História simples: menina bonita, com a vida boa recebe maldição que vai arrasta-la para o inferno. Não vai salvar o mundo do cinema, nem a sua vida, mas que vai ser massa isso vai........




Discos novos que tem que fazer parte da sua prateleira ou HD (ou não) esse ano. Primeiro, o mais recente trabalho da banda Dirty Projectors. Americanos do Brooklyn lançando primeiro cd pela Domino Records. Pop desconexo, beirando o experimental, mas audível (e muito). Belas melodias e viradas mais bem sacadas ainda. Recebeu nota 9 de 10 pela Clash Magazine (se é que isso quer dizer alguma coisa hahahahaha). E antes que eu me esqueça o nome do disco é Bitte Orca, confira.....



A crítica indie de maneira geral (e aí leia-se aqueles que são sunitas no quesito alternativo), andou torcendo o nariz para as nomeações do Brit Awards, já que no ano passado com a vitória da cantora Adele e seu posterior lançamento à categoria de musa, tudo cheirou um pouco armado demais. Mas parece que dessa vez a escolha foi um pouco mais acertada no quesito indie (e mais uma vez será que isso quer dizer algo?????).
Estou falando isso porque a ganhadora desse ano Florence and The Machines, acaba de lançar LUNGS seu novo álbum.Se você como eu achava que ela seria muito mais do mesmo no quesito cantoras, então pode ter uma bela supresa. Blues, baladas e algumas canções pop muito fortes tudo embalado na bela voz de Florence Welsh e uma banda pra lá de afinada......não espere uma nova Billie Holiday ou Maria Callas nem nenhuma surpresa, mas diversão por algumas horas são garantidas......


E ficam as perguntas:
O que é pop? Qual a sua definição de indie? O que é popular demais para ser indie de menos ou Tostines não tem nada a ver com isso??????
Logo mais...a caçada pelos discos esquecidos continua...........

22 maio 2009

GD 44.......ALEGRIA ALEGRIA.....OS NOSSOS JUSTOS ARTISTAS.....

Você julga as pessoas?
Quando você vê alguém vestindo algo que jamais usaria você cria juízos sobre ela?
Quando alguém fala que não gosta de Arctic Monkeys, The Killers, Interpol, você começa a definir que essa pessoa é uma daquelas que não tem muitas qualidades????
Qual é a sua noção de qualificar os transeuntes diários que passam por você no metrô, no ônibus, no assalto. Qual a sua medida para julgar os outros , se é que você julga alguém.......
O porque dessas questões é que nesse sábado finalmente assiti a esse filme aqui:
, e ele fala sobre essa questão.
E essa é apenas uma questão dentre milhares que esse documento, obrigatório, levanta.
Todo mundo está careca de saber que o filme conta a história de Wilson "alegria, alegria" Simonal, cantor que teve a "coragem", de num país aonde brancos bem nascidos eram os donos da cultura nacional, com suas bossas, fazer com que uma população inteira se rendesse ao maior cantor que este país já teve. Um cara que não sabia falar uma única palavra em inglês, mas cantava com se tivesse nascido no Harlem americano. Que fez do suingue uma arma poderosa de carisma e talento. O primeiro show man nacional no mais amplo contexto da palavra.
Essa babação ovo, poderia até ter sido a tônica do filme. Porque a história de Simona , uma luta para sair da pobreza e conseguir tudo aquilo que podia para uma vida melhor, num país capitalista, já é disneyniana o suficiente. E é por isso que a primeira metade do filme te agarra de uma tal maneira que você não desgruda os olhos da tela. Dificilmente um documentário te prende desse jeito. A levada dos diretores tem o mesmo suíngue e malemolência de Simonal. As histórias todas e as imagens são muito boas. Vale a pena citar as cenas da concentração da copa de 1970, aonde Simonal era uma espécie de amuleto entre os jogadores, que mostram os reis negros se encontrando (ele e Pelé).
Do mesmo jeito que ouvir o dueto completo de Sarah Vaughan e Simonal é talvez a cena mais emocionante, daquelas de te fazer chorar silenciosamente toda a vez que você vê.



E assim o filme segue cativando a cada nota que sai da boca de Simonal, os depoimentos são emocionantes e é como assitir uma cena de qualquer clássico do cinema. Elas começam calmas e terminam numa arrebentação de emoções. Nesse aspecto o filme é sensacional e não deixa dúvidas sobre o talento do trio de diretores.
Mas o filme te leva da alegria extrema a maior de todas as depressões (eu sai do cinema com a impressão de ter levado um soco no estômago), porque quando você acha que finalmente Mickey vai abençoar esse conto de fadas sobre um príncipe negro, as coisas se complicam e muito. E é nesse ponto que o filme perde a vocação de se tornar um clássico.
A história de que Simonal havia contratado policiais do DOPS (que era o orgão de repressão dos militares) para dar uma surra em um contador que o estava roubando é o estopim de tudo.
Nosso pa-tro-pi vivia num tempo bravo. Radicalismo, extremismo, comunismo, e mais um monte de ismos faziam com que qualquer trac se torna-se uma salva de doze tiros de canhão.
E quer melhor trac que um cara que andava para cima e para baixo ostentando tudo o que ganhava, que gostava de aparecer e dizer que era bom mesmo (e era o melhor de verdade, ou você acha que reger uma orquestra de 30.000 vozes e fazer delas o que quer é para qualquer um?????). Nada melhor que um cara que deu início há um movimento que se tornaria caminho para os cantores depois, ser a bola da vez.
Não cabe aqui inciar um juri popular para saber qual é a culpa de Simonal, mesmo porque essa não é intenção do filme.
A grande sacada de acharem o suposto contador e de entrevista-lo dá credibilidade de isenção, o que faz o espectador pensar de quem é a culpa nisso. As opiniões sobre a inocência, culpa, ingenuidade, malandragem ou se ele era informante dos militares ficam por conta das pessoas que assistem. Afinal de contas documentário é para pensarmos e não para torcermos (mas porque não torcer????).
Mas é nessa isenção que reside o maior pecado do filme.
Ele se limita demais na apuração dos fatos. Mostra o lado do contador, que sofre a lesão corporal, os flhos e amigos de Simonal, a rede Globo que liderava o boicote televisivo ao cantor, Ziraldo e Jaguar os cartunistas do Pasquim que publicamente crucificavam Simonal. Aliás a cena que mostra a tira aonde o final de Wilson seria o suicídio é repugnante demais.
Mas mostrar apenas a versão de todo mundo para os fatos não é suficiente do mesmo jeito que todos os detratores do cantor, era necessário tomar um partido porque afinal de contas é sim uma história pessoal demais para ser apenas contada.
E é pessoal, quando vemos o calvário que se tornou a vida do cantor depois da acusação de delator (algo que acredito nunca ter sido). Testemunhar que o esquecimento se tornou solidão, que se tornou alcoolismo, que se tornou reclusão. Um exílio forçado maior do que aquele dado a Caetano que passeou por Londres........e qualquer música sobre os caracóis dos cabelos de Simonal não faria passar essa tristeza.
É nessa parte que o filme se torno soturno, ver a vida de uma pessoa que era antes de tudo um grande humanista se despedaçando, é no mínimo ruim.
E é nessa parte que fica claro a maior tristeza de se morar no Pa-tro-pi.....é perceber que a imprensa e os artístas da dita classe pensante desse país, é simplesmente a mais burra de todas...............
Nunca gostei muito de mpb.
Para ser mais sincero ainda houve épocas na minha vida que eu odiava, mas aí eu descobri Cartola, Pixinguinha, Tom Zé, Naná Vasconcellos e percebi que meu sunitismo não era tão sunita assim. Mas mesmo assim eu nunca fui muito baba ovo dos medalhões como Caetano Velloso ou Gilberto Gil, e as caras novas realmente não me dizem nada......mas gosto é como aquele famoso orifício cada um tem o seu....
O que mais me irrita na tal música popular brasileira é que ela não é popular, nem nunca foi. A bossa nova não foi um movimento de massa, eram pessoas bem nascidas, e bastou o Stan Getz gravar Jazz Samba e já poderia até ter mudado o nome para MEB (música da elite brasileira). Vai dizer pra mim que o João Gilberto já foi porteiro de prédio......morou em favela......essas coisas.
Não se discute a qualidade de nada, porque se caras como Tom Jobim, Vinícius de Moraes entre outros são considerados gênios por todo um mundo musical, não seria um ignorante como eu que iria chamar os caras de burros. Mas, a música deles é jantar para intelectual do Espaço Unibanco, aqueles tipos que sentam em rodas com caras blasé dizendo que amaram o Godard, por causa do seu virtuosismo e entre outros adjetivos aurelianos e não sabem lhufas do que o cara quis dizer. E vamos dizer ,quem é que consegue assistir à um filme de Godard sem dar uma meia bocejada........
E essa mesma casta de pessoas ditas formadoras de opinião e responsáveis pela cultura brasileira na época pegaram um boato, transformaram em notícia depois em acusação, depois em julgamento e em condenação. Tudo isso feito na luz do dia e partindo de quem tem por dever apurar os fato e descobrir a verdade a fundo. A imprensa.
E que não me venha o Jaguar e o Ziraldo dizerem que a culpa não era deles também, por que afinal de contas quem atira a pedra é também culpado por manter a história. E o que mais me espanta é que como pode um senhor que escreve estórias em quadrinhos aonde o personagem principal é um menino que é sensível, esperto, justo.....pode ser criação de uma pessoa tão brutalmente injusta.
E é engraçado ver que o justificativa foi de que tempos extremos requerem medidas extremas. Mas desde quando nossos intelectuais de carteirinha foram assim tão extremistas. Quem da esquerda brasileira detonou uma bomba no DOPS?? Quem matou algum general do exército?? Quem tentou matar o presidente??? Quem é que chegou a esse extremo??? Essas sim medidas extremistas e talvez necessárias para nossos paladinos da justiça moral na época da ditadura.
Sequestraram um americano e todo mundo sabe como acabou isso, com o Gabeira se desculpando por gastar dinheiro público anos mais tarde......
Então quem é que pode julgar e condenar alguém por algo que nunca foi provado???? Eu, você ou o Ziraldo?????
Mas as discussões sobre o quanto a nossa imprensa e a do mundo é extremamente sensacionalista e culpada vão longe........o que importa mesmo é saber que o filme é um documento fundamental pra se entender quem é que faz a sua cabeça nos meios de comunicação, e que devemos sim estar atentos a tudo que se escreve ou se faz na televisão. Barbosas e Simonais podem aparecer a qualquer minuto.
A alegria é saber que finalmente se prestou tributo ao maior cantor do Brasil......e a frase do Miéle resume tudo..."e se não foi ele ,foi quem?????"





Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei(Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei, Brasil, 2008)
Gênero: Documentário
Duração: 86 min.
Tipo: Longa-metragem / Colorido
Distribuidora(s): Moviemobz
Produtora(s): TV Zero, Zoar, Jaya, Globo Filmes
Diretor(es): Cláudio Manoel, Micael Langer, Calvito Leal
Roteirista(s): Cláudio Manoel
Elenco: Wilson Simonal, Roberto Carlos (3), Sarah Vaughan, Ronaldo Boscoli, Chico Anysio, Luís Carlos Miele, Ziraldo, Nelson Motta

13 maio 2009

GD 42......IT´S NOT FAIR!!!!!! IT´S NOT FAIR!!!!!!!!

É sempre ruim quando temos que acordar cedo no dia seguinte. As nossas obrigações como homo-sapiens enquanto capitalistas escravizados (hahahaha....) são extremamente vilãs no quesito cultura da madrugada. Mas como o livre arbítrio nessas horas é sempre bem vindo, ainda mais acopanhado de um belo saco de pipoca (light.......) e um gigantesco copo com suco, afinal de contas é de madrugada e depois alguém precisará dormir.
O sacrifício sempre vale a pena, afinal de contas Sidney Lumet não é coisa pequena com o maior trocadalho do carilho possível.
E se você ainda não sabe, nascido em 24 de junho de 1924 na Filadélfia, filho de Baruth Lumet e Eugenia Wermus. Começou a carreira artística aos 4 anos atuando em algumas peças, mas foi em 1955 que começou a dirigir. Primeiro em alguns trabalhos para televisão quando em 1957 seu primeiro longa 12 ANGRY MEN, que recebeceu indicação ao Oscar. Depois disso Sidney dirigiu mais clássicos modernos como Serpico, Um Dia de Cão, para citar apenas a parceria com Al Pacino.
Mas esse diário está mais interessado na sua mais nova obra prima ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO.
Depois de Sob Suspeita de 2006, aonde os críticos torceram o nariz pela escalação de Vin Diesel, para o papel de Jackie Dinorsio, Lumet resolveu escalar um time de primeira, aonde na verdade fica difícil escolher o melhor. Atores quase nada bambas no samba como : Marisa Tomei e Aleska Palladino,Ethan Hawke, Albert Finney e Philip Seymor Hoffman.
Para começar, o plot da história é quase nada problemático: dois irmãos (um agente imobiliário viciado em drogas pesadinhas......e outro loser de primeira), resolvem realizar o plano mais casca grossa da paróquia: roubar a joalheria dos próprios pais.



É incrível como ma história que se transformaria facilmente em uma comédia de erros qualquer, se torna uma roleta russa com intensidade avassaladora.
Começando pelo jeito de filmar do diretor. O roteiro é atemporal desde o início, fazendo e refazendo a vida dos personagens principais conforme a história vai se deixando descobrir. Cada personagem possui uma filmagem diferente, por exemplo, em toda cena aonde aparece Ethan Hawke, o irmão não vencedor (que deve dinheiro à ex-mulher e é chamado de fracassado a cada minuto pela filha), sempre há uma sensação de desespero constante, muito devido a grande atuação do ator, que depois de muito tempo fazendo coisas descartáveis e um livro que daria sono até no papa-léguas volta aqui a encontrar com a profissão em grande estilo.
Não menos características são as cenas filmadas com o sensacional Phillip Seymor Hoffman. Primeiro, ele é um dos poucos atores atuais que é capaz de fazer qualquer papel com uma verdade sem igual. Seja ele Capote, um bandido dentro de um blockbuster caça-níqueis ou nesse caso, um agente imbiliário fraudador, viciado em heroína e cocaína que paga, e muito pelo seu vício. Os personagens envolvidos com Hoffman raramente aparecem, e seus rostos são sempre fora do plano, dando aquela sensação de vida vazia e confusa. Os únicos que sempre se colocam em sua frente (e na nossa) com o rosto em primeiro plano são sempre figuras que estão mandando ele fazer alguma coisa. E nesse quesito o diretor é genial em colocar o conflito psicológico sobre autoridade paterna severa e suas consequências para o personagem. O misto de bipolaridade, esquizofrenia e serial killer fazem desse personagem de Hoffman (parece até nome de estrutura do corpo humano.....hahahahaha), um dos mais marcantes em que ele já atuou, e veja se o cara é bom ou não....



Mas quem rouba a cena literalmente é Albert Finney. Na pele do pai dos irmãos metralha, com uma atuação minimalista e poderosa, faz com que você mergulhe de cabeça no drama de uma família que pode sim ser como a de qualquer pessoa. Os mesmos traumas (tirando é lógico essa estória escabrosa), as mesmas brigas entre irmãos, mas nesse caso com uma componente aterrorizador. Não há como não se emocionar nem que seja um pouco em cada cena de Finney, seus olhares as vezes descrentes, outras raivosos te desconcertam em cada tomada.
Marisa Tomei está sensacional no papel de esposa traidora e perdida em sua própria casa. Sempre achei que ela é uma das mais lindas atrizes, mas nesse filme a beleza dela está rasgada.É selvagem sem perder a doçura de garota do interior, ela conseguiu o equilíbrio pefeito entre a sensualidade e fragilidade de sua personagem.
Como se não bastasse tudo isso, o roteiro não te deixa dormir. As mudanças de andamento na trama fazem com que você não consiga desgrudar os olhos e nem parar de pensar: " Meu....como é que esses caras fizeram isso?????", ou a mais falada frase durante o filme todo....." isso vai dar uma merda!!!!!!!!!!".
O filme vale muito a pena, atuações memoráveis, roteiro descontruindo cada cena anatomicamente e construindo cada personagem numa gama de densidades poucas vezes vista, ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO, vale cada centavo na sua cdeteca.