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19 julho 2009

GD 52....A MENINA DE CABELOS CRESPOS E SAIA PRETA..........


O dia todo passou com uma sensação estranha de domingo. Havia um clima mais que bucólico no ar de São Paulo nesse dia 18. Talvez fosse por causa das mudanças de clima ocorridas, afinal de contas o sol que nasceu pontualmente as seis horas da manhã, acabou se escondendo depois. Teimando voltar a dar as caras durante toda a tarde, mas com uma leveza de energia que quase não era percebido. E quando no início da noite se despediu sendo levado pelo vento gelado de inverno, foi como se estivesse dizendo a todas as pessoas que iria começar um cataclisma sonoro em alguma parte da cidade. E assim se fez.
Nas horas que antecederam a apresentação de Cat Power no Via Funchal, o céu desandou a chorar copiosamente, e a chuva acabou castigando quem não havia levado guarda-chuvas ou estava ainda tentando retirar seu ingresso comprado pela internet. Diante das reclamações de sempre quanto à organização do evento, e contra o departamento de meteorologia do firmamento, os primeiros passos de todos naqueles metros quadrados eram de espera. Em todos os rostos havia uma expressão de pré-Katrina, como se todos lá já esperassem algum tipo de acidente bíblico ou de alguma tormenta imparavel. Mas mesmo assim a entrada seguiu-se sem tropeços. Nem a famigerada exigência de Chan de não permitir câmeras dentro do recinto estava sendo levada às últimas consequências, com você pode perceber pelas fotos tiradas do show, aqui postadas. E por falar em fotos, isso é mérito exclusivo de Karina. Além da dedicatória deste blog, ela merece muito mais beijos depois dessas fotos e desses dois filmes que mostraremos por aqui. Porque tirar uma foto ou fazer um vídeo sem que Chan Marshall furtivamente se escondesse atrás da bateria, ou virasse as costas foi quase uma missão herculínea. E como se viu depois captar à emoção dela foi uma tarefa para poucos e que apenas no final do show foi feito sem força ( mas isso é apenas pro fim).
De entrada fácil, as acomodações mais fáceis ainda. Mas aquele clima de tormenta teimava em não passar. As reclamações de como é pssível se fazer um show "indie", com cadeiras e mesas mostraram-se desnecessárias devido ao que se viu depois.
Palco simples demais. Baixo, bateria, guitarra e um teclado quase que se fundindo em posição, invertendo Newton completamente. Apenas as luzes da casa faziam sombra nas pessoas que ainda se acomodavam. Alguém se aproxima dos instrumentos e coloca dois incensos (um na bateria e outro no vibrafone) e sai, retornaria ao palco depois para colocar uma vela em cima do piano e sairia assim calado de lado, quase se desculpando por entrar, mas com passos firmes de quem está lá para realizar uma missão importante para a formação dessa tempestade.
Alguns minutos depois das dez horas, as luzes da casa vão lentamente morrendo. Pronto, já era possível perceber a formação de pesados cúmulos em torno do céu do palco. Os primeiros raios começam quando entram em cena THE DIRTY DELTA BLUES. O guitarrista Judah Bauer (do Blues Explosion), o tecladista Gregg Foreman (do Delta 72), o baixista e vibrafonista Erik Paparazzi (da Lizard Music) e o baterista Jim White (do Dirty Three) se posicionam, os aplausos crescem em intensidade e a tempestade se precipita. Quando de repente todos esperavam um raio dos mais poderosos, entra em cena uma menina pequena, quase frágil a ponto de se quebrar por completo com um sopro. Tímida, calçando seus sapatos masculinos brancos, seu jeans apertado e uma camisa levemente desabotoada com uma gravata no pescoço. Ela olha ao redor, sorri timidamente, um aceno.....mais nada. Ela parece não entender o tamanho das coisas, e talvez isso se deva pela sua própria estatura pequena. Por um momento eu tenho a impressão que ela vai correr de tudo aquilo. De repente, os acordes de THE HOUSE OF THE RISING SUN iniciam-se. Ela abre a boca e solta a primeira nota, um silêncio mortal invade o lugar. Você consegue perceber que a voz da menina começa a preencher o espaço......as notas vocais descem pela beirada do palco e se misturam as mesas e cadeiras. Funde-se com os ouvidos e corpos de todos...um a um....nossos cérebros são tomados pelo timbre, e ele se espalha. No segundo verso é possível sentir a vibração da garganta de Cat Power tomando o quarteirão inteiro da casa de shows. A voz dela se fundiu e costurou uma amarra dentro de todos presentes. Era como se uma onda que começa pequena fosse tomando proporções jurássicas e arrebentasse de uma vez inundando o lugar. É incrível ver como é possível uma menina tão frágil aparentemente cantar com uma força capaz de fazer desabar um estádio inteiro. Em vários momentos nessa primeira parte do show não haveria explicação lógica para saber de onde é que saía toda aquela voz. Mas a cada clima dissonante, a cada nota e a cada expressão a única certeza era que a tempestade havia chegado.



O show percorreu climas, passou por camadas cada vez mais densas. Foi baseado muito em todos os covers dela dos dois discos THE COVERS RECORD e JUKEBOX, versões assombrosas de Don´t Explain (gravada por Nina Simone e Billie Holiday), Fortunated Son, Lost Someone, Lord Help The Poor And Need, Rambling (Wo) Man e Sea Of Love (que merece uma observação por ter ficado melhor que a versão açucarada que Robert Plant fez), estavam mostrando a todo mundo presente que não havia como sair daquele sensacional furacão pesado. Mas havia junto com isso uma sensação de desapego maior ainda. As poucas palavras de Cat para a platéia que urrava a cada música, eram mais exacerbadas ainda quando ela passava a maior parte do tempo imersa dentro do seu mundo. Cat Power canta em transe. Muitos dos momentos em que ela se colocava na lateral do palco (onde passou a maior parte do show), pode-se ver claramente que ela cantava em outro planeta. Ela estava em algum lugar muito longe onde ela captava sua voz e a despejava, cada vez mais poderosa pelo público. Mesmo a toda hora fazendo obsevações quanto ao volume do seu microfone (a briga pessoal dela com o som era uma das tiradas á parte no show....). Estava tudo se encaminhando para apenas um show aonde o artista canta, deixa marcas e se vai. Mas como se fosse mandada pelos céus para acalmar a tormenta, surge a garotinha de saia preta e cabelos crespos.........
Foi um lance daqueles que você só vê se acompanhar desde o começo. Chan estava na lateral direita do palco em seu mundo. E essa menina audaciosa se aproxima, com a vontade e força de chegar perto de Cat Power inesgotáveis. Seria um embate entre duas grandes forças da natureza. De um lado uma voz rouca de trovão do outro uma inabalável determinação. A menina se aproxima e encara Cat, a cantora que até então fugia de todas as câmeras para e olha de volta. A menina se aproxima com um pacote escuro em suas mãos e o leva na direção da cantora. Cat Power ainda meio que sem jeito se aproxima e pega o embrulho, você podia sentir um raio de força cortar as duas meninas pequenas na beirada daquele palco. A menina fala alguma coisa para Cat, ela não ouve e se aproxima dela. Por um momento acontece aquele fenômeno em que o tempo corre mais devagar dentro da matrix e Chan Marshall delicadamente coloca sua mão no ombro da menina que lhe fala algumas palavras. Cat sorri e acaricia a garota de cabelos crespos, nesse exato momento a densidade cai por terra. Não existe mais exigências de não se filmar, não existem mais amarras para toda a força de sentimento que foi delicadamente surrada dentro do coração e alma de todos os presentes. A menina de cabelos crespos dobrou Cat Power, a partir daí a cantora que já estava despejando a alma no palco, deixava seu coração cair pela primeira vez ao lado da caixa de retorno. E depois disso ela distribuiu tudo que que tinha de alma e coração por notas cada vez mais bem tocadas pela banda, que é um espetáculo à parte tamanha a competência musical e de improviso que eles despejam.
Seguiram-se as músicas do disco The Greatest, como The Moon, Greatest, Live on Bars. Todas num clima de bar sujo de jazz e blues, fazendo a voz rouca de Cat se destacar cada vez mais. Mas ela já estava com a alma em comunhão no palco. Visivelmente emocionada, continuou despejando as notas num crescente absurdamente impalpável.



E tudo se aglutinou para o fim apocalíptico, nem mais nem menos. Quando os primeiros acordes de Anjelitos Negros começaram a inundar o espaço da casa de shows. Podia-se ouvir o barulho da água escorrendo pelos cantos das pias do banheiros. E a música final do show foi massacrante. Numa versão tão longa quanto a do disco, mas nada igual (aliás todas as músicas tocadas estavam com arranjos diferentes ) a banda e Cat Power entregaram-se de vez, não havia como diferenciar quem era quem porque o amálgama era sólido demais, era coeso demais. E ninguém saiu ileso dessa música. Foi certamente a que deu mais vontade de se matar com faquinha de bolo Pulmann, a música que mais emocionou a platéia e a que tirava de Chan a cada nota um pedaço de alma mais profundo. Ao final dela tudo dentro do Via Funchal era uma coisa só. Não havia mais diferenças entre os rostos, não havia mais separação entre o palco e o povo. E quando Cat se aproximou no melhor estilo Roberto Carlos com um balde de rosas brancas e com várias folhas de papel aonde estava o set list do show para mais perto do público, foi catarse pura. Ela ficou pelo menos dez minutos recebendo e doando sentimentos à beira do palco com as pessoas que a tocavam, pediam autógrafos (em vinis inclusive), levavam camisetas, levavam carinho. Era palpável e visível o quanto de esforço que ela fazia naquele momento para não descanbar num choro latente. Emocionada deixou o palco, mas levou com ela metade do coração de todos. Uma troca mais do que justa, já que naquele dia ela tinha deixado sua alma em cada um de nós.............




OBS: os prêmios do sorteio que será feito nessa segunda feira ou terça feira serão, um DVD do show da Cat Power na França de 2007 para o primeiro lugar e para o segundo comentário mais bacana um show do The Killers da turnê de Sam´s Town (quando a banda era bacana ainda hahaha)

18 julho 2009

GD 51 FIM DE SEMANA CAT POWER PARTE 3.......trilhas sonoras e as vindas.

Após todo o sucesso de YOU ARE FREE , as coisas não pareciam ter se acertado para ela. Os shows continuavam imprevisíveis, alguns nem chegavam até o fim, outros duravam horas intermináveis de lamento e loucuras. Tudo isso culminando com o lançamento do DVD SPEAKING FOR TREES , aonde o cineasta Mark Borthwick faz uma espécie de show ao ar livre aonde Chan passa quase duas horas cantando e tocando sozinha dentro de uma floresta com planos em sua grande maioria estásticos. E como loucura pouca é bobagem ainda nessa época ela acaba chegando ao fundo do quadro de depressão e surgem as primeiras tentativas de suicídio. Nesse mesmo tempo ela decide que está na mais do que na hora de dar um fim nisso tudo e começa um processo de cura, aonde foi incluída uma semana no Centro Médico Psiquiátrico Monte Sinai em Miami para uma checadinha no cerebelo. Após essa semana, ela sai dizendo que lá dentro ela não era ela.Mas depois de uma tempestade dessas, nada que não fosse grande poderia surgir.


THE GREATEST, foi lançado em 2006, e é até hoje o disco de maior sucesso de Cat Power. Usado para iniciar pessoas no mundo da cantora e referência como obra primordial para qualquer um que compra seu primeiro par de All Star e óculos de aro preto de acrílico, o disco é uma obra mais que coesa. Co-arranjado pelo guitarrista de All Green, Tennie Hodgers, esta coleção de grandes músicas é e uma suavidade incrível. Apesar da fase turbulenta da cantora na época (mais álcool e mais suicídio), a voz de Chan consegue ser de uma violência doce incrível. Músicas como Willie, Where is my love, The Moon, Greatest, Love and Communication e Hate fazem com que esse disco seja cravado na memória de quem o ouve.Os arranjos são magistrais e a banda é de uma afinação absurda. E é desse disco esse som que você vê agora:








Nesse meio tempo Chan Marshall ainda achou algumas atividades extras como por exemplo fazer alguns comerciais para GAP e estrelar ao lado de Norah Jones e Jude Law o filme MY BLUEBERRY NIGHTS de Wong Kar Wai, aonde fazia o papel de namorada de Law. E também acabou embalando os beijos de Jones e Jude com duas músicas na trilha sonora. E nesse contexto de entrar numa fase mais limpa que ela reenconttrou o Brasil em 2007 no finado TIM Festival.
Neste ano, o festival já era evento certo em qualquer agenda do tal mundo "muderninho", e aquele ano poderia ser muito melhor que o ano anterior aonde Strokes e Kings Of Leon bateram de frente com a Scania que foram os shows do Arcade Of Fire. Havia Arctic Monkeys, The Killers, Bjork, ou seja briga de cachorro grande e qualquer show com adjetivo de bom seria um desperdício.
Foi na primeira noite antes de Anthony and The Johnsons, que as pazes com o público foram feitas, com a banda Dirty Three Delta, que fluia do blues para o rock parando no jazz com a facilidade de quem abre de quem abre uma bala, ela iniciou o show com nada mais nada menos que uma canção imortalizada por ninguém mais que Billie Holliday, Don´t Explain. Pronto não precisava mais nada. A versão de She´s Got You (um clássico do country americano), foi de cortar o coração e todas as músicas de The Greatest foram quase que levadas pelo público como mantra. Saiu do palco debaixo de uma tormenta de aplausos, e a metade de sua alma que ficou no palco, grudou permanentemente em cada uma das pessoas que assitiram a apresentação, o que explica os ingressos esgotados nos shows de 2009. Esses dois videos são da apresentação no Tim:





Após o disco e a vinda ao Brasil, ela em 2007 ganhou o prêmio Shortlist Music Prize, por The Greatest se tornando a primeira artista feminina solo a recebe-lo. Em 2008 lança o segundo disco de covers JUKEBOX, aonde faz interpretações de canções mais antigas ainda do que no primeiro disco de covers, aonde aparece novamente Metal Heart e a música Song For Bobby em homenagem à Bob Dylan ídolo da cantora de longa data. Logo após em dezembro veio o EP DARK SIDE OF THE STREET com sobras de estudio do álbum.
Atualmente ela está trabalhando no próximo disco, com algumas músicas já prontas como Mountaintops e Leopard para o sucessor de Jukebox.
Hoje à noite à partir das dez da noite, Chan Marshall volta ao Brasil. Se pedaços de alma serão despejados no palco, isso ninguém sabe, mas a única certeza é que corações serão tocados de uma maneira irremediável essa noite..........


17 julho 2009

GD 51 FIM DE SEMANA CAT POWER....... PARTE 2 Do pesadelo à redenção


Quando deixamos nossa heroína moderna, ela estava a meio caminho de uma colapso nervoso. Ansiosa por não ser compreendida em seus trabalhos, caminhando em círculos sem achar a saída do circo da fama ao qual havia sido catapultada pelo seu mais recente disco.Isolada em uma fazendo na distante terra do nunca Cat Power continuou fazendo aquilo que ela achava no momento ser a saída para todas as suas dúvidas.Pinturas, poemas, álcool, droguinhas e depressão grande.......como se estivesse presa dentro de seu próprio pesadelo. E foi por causa de um desses pesadelos que ela voltou ao mundo da música.
Segundo ela em rara entrevista, o pesadelo era assim: ela sonhava que alguém lhe dizia que seu passado seria apagado se ela encontrasse essa pessoa que falava com ela (quem quer que fosse....), ela acordava gritando que não queria conhecer essa pessoa, porque ela sabia quem era: uma serpente traiçoeira. E esse pesadelo cercava a casa dela como um tornado.
Ela ficava apavorada e tinha que correr para seu violão para poder distrair-se e passava os próximos 60 minutos gravando alguma coisa.E dessas gravações longas sairiam seis canções.E foi assim que nasceu o disco dela, gravado na Austrália em companhia da banda Dirty Tree (que tocam com Nick Cave também). Esse disco intitulado MOON PIX é um dos melhores discos dos anos 90 (ele é de setembro de 1998), e trazia a já famosa desde sempre Metal Heart, mas foi com Cross Bone Style que ela mais uma vez caiu nas graças do público e fez (para desespero dela mesma), seu rosto ficar conhecido ainda mais. Aqui você confere as duas faixas e ainda a capa do disco.





Mas mesmo com todas as honrarias e felicitações alguma coisa parecia um pouco fora do lugar, mesmo porque meninas que não gostam de aplausos talvez estejam sendo mal interpretadas (obrigado pelo comentário....). E Chan continuava mais ainda dentro do círculo vicioso que entrou.E mesmo assim logo após a explosão de Moon Pix, ela resolveu fazer o primeiro disco de covers de sua carreira.E o nome não poderia ser mais inteligente: THE COVERS RECORD. Nesse disco ela mostra de uma vez por todas que ela não era apenas mais uma cantora indie qualquer, e se você não acredita dá uma olhada nesse videoclip e tente não chorar copiosamente. Nesse disco Cat Power se supera como interprete e como artista, simplesmente fazendo versões estonteantes para Rolling Stones (Satisfaction), Bob Dylan(Paths of Victory) e Velvet Underground(I Found a Reason). E foi com esse disco que ela veio ao Brasil pela primeira vez em 2001, fazendo shows em São Paulo, Rio e Curitiba. Mas se pudessemos ser parentes de Emett Brown provavelmente iríamos dizer que estávamos próximos de uma Amy Whinehouse do passado. Ela mal conseguia cantar as músicas, errou demais e com direito à uma apresentação Kobainiana no Hollywood Rock ela deixou quem gostava dela aqui a ver navios cargueiros. Mas a redenção e o caso de amor com os fans brazucas viria em 2007 (mas isso é uma outra história.....já já chegamos nela.). Por enquanto fiquem com ela em uma das mais maravilhosas covers de todos os tempos:





Mas como na música, ela acabou achando uma razão para não ir embora de uma vez da face da Terra, e quando todo mundo imaginava as manchetes em tablóides sensacionalistas, eis que surge em 2003 depois de três anos sem gravar nada YOU ARE FREE. Essa capinha bucólica já dava a impressão de paz que ela parecia ter atingido.
E apesar da calma aparente esse é um disco de rock regado à baladas simples mas fortes. Produzido por Adam Kasper que fez trabalhos com Pearl Jam, Foo Fighters e Queens Of The Stone Age, Cat Power parecia ter atingido a maturidade. De início pesado com a música I Don´t Blame You, que apesar de jurar que não era para Kurt Cobain (no início da letras ela canta sobre um músico que a última vez que tinha visto, ele estava com sua guitarra na mão com uma sensação de que não queria estar lá........o que vocês acham????), e com as participações de Dave Grohl na bateria em 3 faixas e o baixo em Speak For Me, ainda com Eddie Vedder nos vocais em Good Woman e Evolution.
Um fato bacana é que os convidados foram apenas identificados com as inicias dos nomes, então no encarte apenas estão colocados assim: D.G., E.V. e ainda um misterioso T.H. (que poderia ser o baterista Taylor Hawkins do FF). Vale a pena ouvir do começo ao fim, numa tarde de sábado no seu recanto rural. E é desse disco o próximo videoclip aqui: He War



E isso tudo mostra que realmente uma infância problemática, a mãe sofrendo de esquizofrênia, drogas, depressão, loucura e tentativas de suicídio, podem até não ser parâmetro de normalidade, mas com certeza é matéria prima de genialidade.

Quando o post do inferno voltar:

o disco mais The Greatest, a redenção no Brasil e mais covers de se matar com faca de bolo Pullman.

GD 51......FIM DE SEMANA CAT POWER PARTE 1.....


Como todo mundo já sabe Chan Marshall ou Cat Power, (como preferirem) retorna ao Brasil nesse sábado para um show em São Paulo e domingo no Rio de Janeiro. Com a esperança dos fans que nesse ano ela faça um pouco melhor do que em 2001, quando dentro de seu mais terrível pesadelo enterrada até a cabeça dentro de um litro de whyskie e drogas ela mal conseguia cantar as músicas. Atualmente recuperada de toda a manguaça, depois de lançar mais um disco de covers (JUKEBOX de 2008), que foi abraçado muito bem pela crítica especializada senhorita Chan volta as nossas terras. Enquanto aguardamos o sábado, bolando uma missão nos moldes Tom Cruisianos de ter as fotos do show e alguns vídeos, já que a moçoila que é avessa aos aplausos e mandou um recadinho que não vai querer saber de câmeras no seu show (como se ninguém fosse levar nem celular!!!!!), começaremos a postar uma biografia com videoclips, capas de discos e historinhas.......tudo será bem dividinho e colocado por partes para que você leitor possa acompanhar. A cobertura do show sairá logo após o retorno desse que vos escreve para casa, ainda na madrugada de sábado para domingo. E como estamos iniciando alguns testes no quesito mídia internética (alguém aí falou programa de rádio??????), vai rolar um sorteio pros melhores comentários sobre Cat Power.........dentro do blog. Nos comentários deixe seu e mail para que possa entrar em contato. Posto isso vamos ao que interessa.
Nascida no dia 21 de janeiro de 1972, com o nome de Charlyn Marie Marshall, filha de pai músico. Desde cedo já acompanhava o velho dentro dessse mundo então a transição não foi muito demorada para acontecer. Depois da separação dos pais, quando tinha 17 anos, Chan muda-se para morar com a mãe em Atlanta. Nessa mesma época larga o colegial e começa a procurar coisas mais interessantes para fazer (mesmo porque colegial pode ser sacral demais às vezes). Nessa procura muda-se para Nova Yorke aonde começa os primeiros ensaios daquilo que ela se tornaria anos mais tarde. Em 1992 ela funda o Cat Power (nome que surgiu depois que ela viu um adesivo de carro aonde estava escrito Cat Diesel Power), junto com um baterista seu amigo. E em 1994 lança seu primeiro single HEADLIGHTS,essa música entraria no primeiro disco dela de 1995 DEAR SIR, esse aqui:


Nesse mesmo ano Cat Power, já estava abrindo vários shows da cantora Liz Phair. Um tempo antes do lançamento desse disco ela conheceu o baterista do Sonic Youth (Steve Shelley) e Tim Foljahn (Two Dollar Guitar) e com eles gravou várias músicas de Dear Sir e do segundo álbum intitulado MYRA LEE, lançado apenas alguns meses depois do primeiro e pelo selo de Steve Smells Like a Record.







Desse segundo disco que você vê a capa logo abaixo, saiu a música Enough, primeiro vídeo dela em nossa videobiografia.






Mas foi em 1996 que ela começou a despontar no cenário através do primeiro disco seu pela Matador Records, WHAT WOULD THE COMUNITY THINK, de levada bluseira constante, mas de melancolia à flor da pele esse disco além de projetar Cat Power mundialmente, mostrava que a menina tinha certas perturbações depressivas importantes. Toda a influência de seu pai se apresentava nas faixas que lembravam muito o sul norte americano como Knights Ride By e In This Hole. Mas o hit que foi Nude At The News fez com que toda essa fumacinha deprê se escondesse um pouco para todos que a ouviam, menos para ela mesma. O disco é esse aqui:



E o vídeo que mostrava quase tudo é esse:




E é depois desse disco que as coisas se complicam. Senhorita Marshall entrou em uma depressão das bravas, muito pelo fato de não gostar em nada de seus primeiros discos e por achar que estava sendo explorada pelos seus amigos de gravadora. Some-se à isso o fato dela não conseguir compreender nem aceitar muito a idolatria de seus fans (coisa que até hoje ela tem consigo, visto que ela não gosta de aplausos). Fez o que todo mundo faria, se isolou do mundo dentro de uma fazenda, junto com o seu namorado e alí ficou pintando, escrevendo poesia quase desistindo da música de uma vez. Foi nessa época que começou a descida pelo álcool, as drogas e algumas tentativas de suicídio. Mas depois de um pesadelo no meio da noite, ela resolveu voltar.........

No próximo bloco:

O pesadelo de Cat, a volta pela Lua, Eddie Vedder e Dave Grohl, a vinda ao Brasil e a trilha sonora dos beijos de Norah Jones........

12 junho 2009

GD 46......A TRILHA SONORA DOS SEUS SONHOS......


Você já se encontrou sentado em frente a uma tela fria de computador, divagando por entre as idéias confusas do seu córtex e de repente sente um estalo que te desloca com uma violência tamanha do seu estado de latência que parece que você foi atropelado por um Boeing???????
Pois bem, essa sensação será uma constante ao se escutar o novo disco do Grizzly Bear, VECKATIMEST. Sensação que vem acompanhada com a idéia de eles estão um passo na frente de muitas bandas do mundo indie atual. Que aliás deixou de ser indie a muito tempo......mas isso é para outro dia.....
Desde o início com a estonteante Southern Point, onde uma confusão de batidas que te lembram um grande samba enredo tocado do avesso ou com o piano pop da magistral Two Weeks você vai perceber que não está diante de um mero cd de rock, muito menos um pop complicado. Na verdade o disco dos caras é de extrema dificuldade de definir em apenas um gênero. Camadas seria a palavra mais adequada para usar como descrição.
Não são apenas faixas distribuídas ao acaso, são momentos diferentes de uma experiência completa. Como por exemplo a faixa All We Ask, que passa por inicialmente uma balada lenta e mórbida, para uma sinfonia radioheadiana. E não será a primeira vez que você irá ouvir ecos de música clássica nesse disco. Logo na faixa a seguir Fine For Now tem início vocais que caberiam em qualquer ópera ou filarmônica, para depois colisões entre violões, bateria e guitarras mostrarem toda uma força pra lá de 1.21 gigawatts......e entre um trovão e outro uma calmaria submarina.Os backings vocais dessa música com uma clara influência dos Beach Boys deixam mais evidente o mosaico que os caras colocaram em todas as músicas.
O disco foi gravado quase em isolamento total em Cape Cod, e isso se reflete no fato que existe uma calma inerente em cada música. Não uma líder, não existe ninguém seguindo ninguém, è a banda tocando com uma sincronia incrível.
Outra coisa que chama atenção é que eles trabalharam com a produção do baxista da banda Chris Taylor, o que leva a explicação de que durante toda a audição do disco se nota o quanto não houve pressão nenhuma durante o gravação do disco.Imagina se nas mãos de algum produtor cheio de marrinha do mundo indie, seria possível as texturas todas de Dory. Do mesmo jeito que talvez se a banda escolhesse um produtor externo, a falsa imagem folk que o disco tem acabasse sendo a tônica. E eu digo falsa não pejorativamente, existe sim uma aura mais caipira na bolacha, mas na verdade o trabalho da banda está muito mais pra Radiohead do que Bob Dylan. Prova disso é a magistral Ready, Able.
E esse pé no psicodelismo no início dos tempos, de faixas como While You Wait Fot The Others, que te remetem a coisas como See Emily Play do Pink Floyd não faz do disco uma coleção de influências, os ursos seguiram seu próprio caminho deixando citações serem apenas um rodapé. Mostraram que a evolução natural do que foi o disco de estréia, não foi apenas uma mera caminhada para frente. Foi uma demonstração sensacional de amadurecimento tanto nos quesitos melodia, letra e técnica. I Live With You, talvez a melhor música do disco em 4 minutos e 58 segundos é um carrossel de música clássica, cinema, amargura e beleza que poderia ser indicada a Oscar de melhor canção sem nunca ter feito parte de uma trilha sonora.
O disco novo do Grizzly Bear não é perfeito, é quase. Se o Art Brut lançou o disco mais divertido do ano, os Bears lançaram a melhor trilha sonora de sonhos.
Escute de frente pro sol a épica última faixa, Foreground. Você vai poder entender o grandeza das coisas depois disso..........


Normalmente não é de praxe colocar rapidinhas nesse tipo de post...mas como o assunto é sonho......
42 diretores dirigiram e montaram o filme 42X42, que tem como tema a visão dos mesmos sobre seus sonhos.E sabe quem também dirige um episódio (o 42 é por causa disso......)?????
CAT POWER......ela mesma que chega em terras colonizadas pelos portugueses, em julho de 2009...veja o trailler....é um pouco louco só......

20 maio 2009

GD 43....DUAS RAPIDINHAS...E CHEGA.....


Pra terminar bem a noite......

Cat Power entrará em turnê esse inverno (aqui para nós), com ninguém menos que Juliette Lewis e os Pretenders. O comunicado foi confirmado nessa tarde pela assessoria de imprensa da cantora, será que o show do Brasil em julho terá surpresas????
Do lado da atriz de Assassinos por Natureza, o disco novo TERRA INCOGNITA, produzido por ninguém mais que Omar- Rodriguez Lopez do Mars Volta chega em 9 de setembro....



O Depeche Mode cancelou mais alguns shows. Polônia, Lituania e Latvia foram os shows que não farão mais parte da nova turnê que passa por aqui (se tudo correr bem ) em outubro. Os médicos que atendem o vocal Dave Gahan disseram que será preciso mais tempo para curar a rapaz....qualquer coisa a gente escreve por aqui.....

11 maio 2009

GD 42.....RAPIDINHA...........

Ela já foi muito chegada a porres homéricos, foi suicida algumas outras vezes e atualmente é uma das melhores cantoras do mundo indie.......
Cat Power.....aí vamos nós.....
Ingressos comprados. E de quem foi a idéia de colocar mesas em show de cantora indie???????
Segregação total, mesas em pista vip, em pista 1,2 e 3.Você senta-se com duas pessoas desconhecidas, que podem ser muito bacanas, ou aquelas com a maior nível de TOC possível.Ou seja, o show marcado para dia 18 de julho, no Via Funchal ( http://www.viafunchal.com.br/ ), será no mínimo imprevisível. Mas deixando de lado toda a famosa discussão de com são mal organizados, os eventos musicais, no Brasil varoníl, vamos a música da senhorita Charlyn Marie Marshall, desde sempre musa e predileta da casa.......







Ainda essa semana, nova lista pra fita, os discos novos mais bacanas e algo sobre filmes....